Curtas #727

Reunião

Hoje, em Ilópolis, os prefeitos do G-10 se reúnem. O G-10 é o grupo de municípios integrados da região alta do Vale do Taquari.

Amvat

Os prefeitos que formam a Amvat realizam a próxima reunião no dia 6 de julho, em Relvado.

Estranho – 1

O prefeito de Lajeado, Luis Fernando Schmidt  convocou os cargos de confiança do PT para uma conversa.  Pediu,  ou melhor,  comunicou,  que eles defendam o governo nas conversas e encontros  na comunidade. Isto aconteceu na quinta-feira, numa reunião com cerca de 80 servidores. Estranho isto pois quando ele decidiu sair governando optando por algumas prioridades ele não explicou os motivos de tais decisões ao PT. Agora que aquelas decisões contribuíram para agitar a política local, ele pede apoio aos companheiros. O termo “agitar” é uma licença poética deste repórter.

Estranho – 2

Na mesma reunião com os cargos de confiança do PT, quem primeiro usou da palavra foi o vice-prefeito Vilson Jacques (PMDB). Aí o estranho ficou patético. O vice do PMDB pedindo apoio dos servidores do PT  quando ele não consegue  administrar as broncas internas de sua sigla provoca interrogações em quem assiste a política de Lajeado.

Estranho – 3

Pelo visto Vilson Jacques (PMDB) deve ser o nome de Luis Fernando Schmidt (PT), para um segundo mandato. Enquanto isto o presidente da sigla, Celso Cervi, segue procurando candidato à prefeito para 2016.

Lixo – 1

Na CPI do Lixo, os bem informados da política de Lajeado dizem que o nome do relator será o vereador Antonio Schefer (SDD). E mais a frente, o presidente do legislativo, Carlos Ranzi e o vereador Djalmo da Rosa, ambos do PMDB,  retirariam as assinaturas.

Lixo – 2

A indicação  de nome para a relatoria é um responsabilidade da presidência. Isto acontecendo Carlos Ranzi (PMDB) sugere que está brincando.  Antonio Schafer (SDD) é um vereador preparado para a tribuna e não para a burocracia de um processo. E se Ranzi e Djalmo da Rosa retirarem as assinaturas ficará irônico: Assinaram por qual motivo se depois decidiram retirar as assinaturas ?

Lentidão

Não comente  mas as operações de diversas secretarias de Lajeado iniciaram um processo de lentidão nas ações. O objetivo é conter as despesas pois tem matemático petista com receio sobre o fechamento de contas em dezembro. Mas não comente, o secretário Auri Heiser (PT) não gosta que temas de bastidores do governo  caiam na rede ou na imprensa. Vamos respeitar a cautela e o zelo do Heiser.

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Nico Fagundes

Por Adriano Mazzarino

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Nico Fagundes partiu. E com ele vai um arquivo profundo e diversificado de um milhão de histórias. Algumas li, ouvi  e senti, outras presenciei e algumas outras ele me relatou. Era um disciplinado ouvinte, um observador  nato,  um intelectual humilde, um profissional de muita informação nas mais diversificadas áreas e um sensível cidadão do mundo.

Sua fusão de habilidades, compromissos e talentos, fazia dele fora do vídeo uma figura discreta diante daqueles que o interpretavam como uma celebridade de permanente sorriso. Nico era pessoalmente quase um tímido, cujos compromissos do gauchismo, a herança  radiofônica do irmão Darci Fagundes, o espaço na comunicação  e  o olhar  profundo de  intelectual lhe impuseram uma vitrine. Ouvi de diversos que o viram de raspão que Nico pessoalmente era “fechado”. Na verdade Nico era diverso e múltiplo.

Arrisco dizer que fomos amigos, apesar das muitas distâncias que nos separavam. Me chamava  de “Cardeal”. Nico dava apelidos para  as pessoas, uma demonstração de carinho.

Nosso vínculo começou numa palestra na Escola Scalabrini. Ele veio a convite da Irmã Beatriz Volpatto, que na época  lecionava música. Veio falar de folclore. Era um antropólogo atuante e um apresentador de TV e rádio em construção. Na palestra pedi  que declamasse uma poesia do seu livro “Com a lua na garupa”.

Daquela década de 80 em diante foram dezenas de encontros. Uns festivos como uma visita ao Rodeio de Encantado, onde almoçou com a turma do  Piquete Esperma Gaudério. Na saída do almoço puxou o revólver que usava e deu um tiro numa cabeça de boi que estava pendurada no poste do acampamento. Outro encontro festivo foi no lançamento do primeiro disco de Rui Biriva, na antiga Churrascaria Zequinha, em Porto Alegre.

Outras  andanças foram profissionais como uma visita do presidente Fernando Henrique, em Gramado. Lá estava ele do lado do presidente, junto com o saudoso declamador de Lajeado, Erli Bach. Nico foi generoso com Erli, permitiu que ele mostrasse seu talento de poeta de improviso.

Outras conversas foram na sede do IGTF, onde foi diretor, e me concedeu diversas entrevistas para o Jornal O Guaxo. Lá ele sugeriu que  eu publicasse um capítulo do seu livro de pesquisas no jornal. Ele pesquisou em Encantado o caso da “Mulher que dançou com o diabo”. Eu publiquei. Está no livro “Mitos e Lendas do Rio Grande do Sul”.

Uma de suas alegrias era ver e ouvir frases, textos, histórias, musicas ditas, pesquisadas ou criadas por ele em diversos ambientes com ele presente, sem que as pessoas soubessem que ele fora o fio condutor daquilo que estava sendo apresentado, dito ou relatado.

Uma das mais interessantes passagens dele na região foi a visita de Nico Fagundes, em Muçum. Era um show que antecedia um comício político. O muçunense Nestor Dalla  Lasta sempre me dizia que havia conhecido os pais de Nico, na fronteira. Naquele comício, num sábado de tarde, na sede da Sociedade Fortes e Livres,  estou saindo e quem chega é Nestor. Pedi ao Nico Busnello que estava ao meu lado que conduzisse Nestor até os bastidores e o apresentasse ao Nico Fagundes e familiares.

Na volta para o comício, cerca de meia hora depois, encontro Nestor Dalla Lasta falando e Nico, Neto e Ernesto Fagundes ouvindo tudo em silêncio com os olhos molhados de saudade. Nestor resgatou até o apelido de Nico na infância. Nico era o Melena, numa época que seu pais Euclides e Florentina (a Mocita) tinham hotel. Nico subiu ao palco, abriu o show e em lágrimas dedicou o espetáculo ao Nestor Dalla Lasta. Nico viu sua infância relata na boca e na memória de um homem do povo, uma emoção impar para um doutor nas dimensões científicas e pessoais do folclore e da antropologia social.

Nos  entendíamos pelo olhar. De perto ou de longe uma mirada apenas e nos fazíamos entender.

Creio que o encontro mais difícil foi em 2000,  numa Expointer,  Estou na entrega do prêmio “Melhores da Terra”, na sede esportiva dos funcionários do Grupo Gerdau. Era um evento muito grande, com a presença de dois ministros, governador, senadores e cantor e apresentador Rolando Boldrin.  No meio da multidão, por coincidência, nos encontramos lado a lado.

Nico estava se recuperando de um derrame. Penso que só sobreviveu pelo apoio da então esposa Ana Luisa Fagundes e da estrutura que RBS ofereceu.

O derrame não interferiu no seu intelecto e olhar privilegiado, mas a fala e o movimento de uma das pernas foram afetados. Tal limitação num  homem de tantas andanças, atividades e projetos era um peso de difícil condução. Num homem de Comunicação direta que e ele e os meios produziram o preço a ser pago era de muita superação.

O encontro foi de abraços e emoção. Longe dele chorei muito.

Nico Fagundes partiu levando consigo um milhão de histórias e emoções. É possível que no outro plano ele esteja sendo recebido por Teixeirinha (Nico foi advogado do cantor), Glaucus Saraiva, Leopoldo Rassier e outros. Peço ao Nico que mande um abraço ao Rui Biriva. Imagino que será um grande encontro, fazendo aquilo que sempre o marcou “seguir o rumo do seu próprio coração”.

Aprendi com ele dezenas de coisas. Uma delas é de que quando estivermos na frente de alguém de expressão elevada, ao tirarmos o chapéu estamos reverenciando a distinção que a referida pessoa carrega. Então assim encerro, tirando o chapéu, nesta fria manhã de inverno. Valeu Don Nico Fagundes!

 

 

Foto Juremir Versetti/Jornal Antena

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FUTEBOL E PAIXÃO

A tese de que futebol é paixão é ampla e ultrapassa as quatro linhas do gramado. Um fanático por futebol decidiu assistir uma partida do Guarani, de Venâncio Aires. Na metade do jogo, ele decide voltar para seu município, afinal o espetáculo mostrava poucos talentos nas equipes.

Ele voltou para casa e a alegria que não viu no estádio acabou encontrando em casa. Estavam lá no melhor “futebol”, misturando técnica e arte, a esposa e um jogador integrante do campeonato estadual de futebol de salão.

A história terminou envolvendo a Lei Maria da Penha, pois ele bateu na esposa. E ainda ligou para a esposa do jogador relatando o fato. Os casais se separaram.

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