JANTEI COM O PREFEITO SCHMIDT

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Eleições 2016/ Lajeado

IMG_0162Jantei com o prefeito Luis Fernando Schmidt. Foi na sexta-feira (1°/07). Uma casualidade, um encontro  na casa do empresário Léo Katz, nos colocou lado a lado. E junto estava o presidente do Legislativo  Heitor Hoppe.

Não falava com o prefeito, neste formato, desde os primeiros meses depois da posse.

Ele estava calmo, como sempre esteve. Não abriu muito o jogo do momento e do futuro. A conversa poderia ter se ampliado, mas a sempre atenta secretária do Planejamento, Marta Peixoto, passou para dar um “oi!” no prefeito.  De longe, em três amplas salas conjugadas, abertas  e  cheia de gente ela conseguiu ver o prefeito, sentado, conversando num pequeno grupo.  Uma percepção ótica digna de filmes do serviço secreto.  No rápido “Oi…!” , seguido de um curto abraço afetivo, ela o alertou-o sobre o “perigo” que estava correndo naquela quase roda. Eu entendi o comentário como uma gentileza irônica da secretária, mas os códigos petistas podem ser outros.

Na conversa de 40/60 minutos o prefeito Schmidt  comentou que as votações dos vereadores Sérgio Kniphoff e Eloede Gonzatti deverão ser as de maior expressão.

Perguntei qual a marca de seu governo. Ele pensou alguns segundos e disse que era a  integração do governo nas ações da cidade.  Esboçou que poderia ser  habitação, mas preferiu voltar no conceito de integração. Até gesticulou com as mãos desenhando/mostrando a centralidade e o fez em direção a si, ou seja, ele coordena a máquina. Talvez numa segunda leitura,  algo assim: “o governo sou eu”.  Uma  Lajeado de muitas ações, com as mãos em direção a ele. Talvez, numa terceira leitura: do mundo para si. Como ele foi cuidadoso com as palavras, tive de avançar para a leitura corporal sob o risco de estar equivocado.

Sinalizei a ele que haviam me dito que as obras nas periferias são amplas. Ele foi discreto e não avançou, lembrou que as áreas centrais também têm ações.

Atento, ele veio com a resposta do questionamento anterior, sobre a marca. De forma sutil comentou o projeto de modernização do Parque do Imigrante conduzido pela Acil. Mas cuidadoso lembrou que tal obra é algo para a execução em 15/20 anos.

Sobre o contexto eleitoral mostrou-se atento ao PP. Disse que a força partidária em eleições é importante e nem sempre as pessoas tem esta percepção. Hoppe, ouvindo, acrescentou ao  comentário sobre a presença de Gláucia Schumacher como novidade e incógnita. Ela será vice, numa dupla comandada por Marcelo Caumo (PP). Schmidt citou a presença de Glauco Schumacher como candidato a vereador. Concluiu que isto pode ser um preparo do filho do ex-prefeito Cláudio Schumacher, para projetos eleitorais em eleições futuras.

Estas foram as minhas impressões da conversa regada a vinho tinto e feijoada. Nas falas de Schmidt há recados e iscas e eu estou me fazendo de instrumento. Sei que ele foi cirúrgico e estratégico, foi até onde lhe interessava. Não tenho ilusões.

Em paralelo, circulei no jantar de muitos convidados. Pouco, mas circulei. O prefeito saiu às 23h. Eu avancei por mais uma hora e meia. E ali ouvi alguns. E estes querendo saber detalhes da conversa. E nas perguntas formuladas  entendo que Schmidt deva refazer ou reavaliar o seu conceito de centralidade ou integração. Como o prefeito foi cirúrgico e estratégico assim também serei.

Schmidt, por sua tradição de parlamento se comunica bem na tribuna e microfones. Mas em comunicação política o verbal é apenas uma parte do todo.

Todas estas linhas foram aquecidas por duas taças de vinho, portanto corre-se o risco de distorções de análises. Porém, talvez integre a ampla maioria da cidade que Schmidt governa.

Lajeado de muitas potencialidades é rica em análises equivocadas sobre o sentimento coletivo da política local. Mas isto é papo para uma  nova conversa e mais uma taça de vinho.

 

(Adriano Mazzarino/Opinião)

Foto: Juremir Versetti/Chinelagem  Press

 

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